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Senhor Tédio

idéias desconexas e muitos erros ortográficos!

Nome:
Localização: Rio de Janeiro, RJ, Brazil

1/29/2007

A certeza que os imbecis carregam

Eu tenho uma colega imbecil. Divido o ambiente de trabalho com ela e esporadicamente, trabalho com esta imbecil.

Todo o dia a imbecil me agride:
Agride-me com sua linguagem corporal.
Agride-me com seu vocabulário limitado.
Agride-me com seu desdém pelo meu trabalho.
Agride-me com suas certezas.

Eu observo-a e sinto inveja da certeza que os imbecis carregam. Ela sabe mais do que eu sobre tudo.

Todo dia ela mostra que sabe mais do que eu:
Sabe mais do que eu sobre Rio de Janeiro e São Paulo.
Sabe mais do que eu sobre internet.
Sabe mais do que eu sobre comunicação e mercado de trabalho.
Sabe mais do que eu sobre minha vida.

Inveja é o que sinto.
Queria este dom da imbecilidade em momentos de escolhas difíceis. Assim culparia o destino e os outros por todos meus erros, assim como a minha colega imbecil o faz.

1/12/2007

Simplicidade, sem ser simplório

Tenho sentido mais prazer com a simplificação de vários aspectos da minha vida....

Uso roupas com duas, no máximo três cores
Gosto de comidas com poucos ingredientes, mais simples... e como menos
Ouço músicas menos densas, repetitivas e com poucos instrumentos
Saio para os lugares e espero espaço, diversão e facilidade.... nada de "bombação"

Ontem eu sai sem rumo, só com a pessoa certa. Fui para um lugar simples... como me diverti.

Como é bom ter a certeza que você está com o detalhe certo ao seu lado.

1/09/2007

Dúvidas e certezas

Esta semana eu não trabalhei como um puto e pude pensar novamente. Demorou um pouco a me acostumar já que há um bom tempo, não exercitava o meu cérebro.

Pensei no que aconteceu em 2006, lembrei de pontos altos, pontos baixos, de erros, de acertos. Ri de vários medos que povoaram minha cabeça e meu coração em 2006 e que foram resolvidos, preocupei-me com novos medos e incertezas que povoam a minha cabeça e o meu coração em 2007.

Eu tenho dois pontos a resolver na minha vida pessoal, um na profissional e um na familiar.

1- Tenho que me livrar de pessoas que me invejam, pessoas que parecem meus amigos, mas na verdade desejam o que tenho. Ontem eu descobri um.
2- Tenho que me livrar de pessoas que fazem parte do meu círculo de convívio social, mas planejam me desestabilizar para conseguir o que desejam. Este ainda está só na desconfiança
3- Tenho que parar de me sentir um underachiever e trabalhar com algo onde uso meu cérebro e parar de fazer trabalho burucrático. Acho que ate o final do mês resolvo, ou pioro muito, este problema
4- Tenho que sair da casa dos meus pais e morar sozinho. É só deixar de ser frouxo.

No final de 2007, tenho que rever este post e ver o que consegui resolver destas metas!

11/27/2006

Paulo Coelho e Bélgica

TOTO says:
engracado q eu tenho uma tia avo q foi prala e nunca mais voltou ao brasil.

TOTO says:
acho q nem telefonou mais. hahaha

TOTO says:
serio

TOTO says:
acho q eh so por teimosia, saca? nao aceita perder... chega la ve q eh uma merda e mesmo assim nao liga pra dizer q quer voltar pra ca.

TOTO says:
tanto q nunca chamou...

TOTO says:
porra de lugar q so tem deserto, aborígene e canguru!

TOTO says:
bom eh aqui q tem india, caboclo e ouro.

Leonardo Galvão says:
e o samba toto?

Leonardo Galvão says:
nao se esquiçe do samba

Leonardo Galvão says:
nao entendo é uma pessoa viver na belgica... pais sem graça...nao tem samba, nao tem belezas naturais, so tem cerveja, castelos e justiça social

TOTO says:
e chocolates

TOTO says:
o ultimo belga importante foi o Thierry Boutsen, piloto da F1 em 1985

TOTO says:
ve q merda

Leonardo Galvão says:
ja no brasil tem um monte...santos dumont, pele, romario, ronaldinho...senna, oswaldo aranha (que virou nome de prato). por isso q o melhor do brasil é o brasileiro

TOTO says:
mas pra tirar onda mesmo.. temo um mago, meu caro.... isso eh um ser superior! Paulo Coelho!

TOTO says:
Eh um mega-Guru

Leonardo Galvão says:
Ainda bem que não sou belga

9/02/2006

Desculpas

Até o final de setembro escrevo mais dois posts!
Prometo!

Novas Mulheres

Era uma 6a feira e eu ia pela primeira vez a uma festa com minha garota. Eram 19 horas, estava me preparando pra sair do trabalho e ela me chamava no MSN:

Cherry lips diz:
Léo, taí?

Leonardo Galvão diz:
Quase que você não me encontra aqui. Tava saindo da senzala linda... Pode falar.

Cherry lips diz:
Vai ter uma pré festa hoje lá na casa de dois amigos meus. Dez da noite na Delfim Moreira, uma cobertura bacana.

Leonardo Galvão diz:
Legal... Cobertura de frente pra praia no Leblon! ainda por cima com vc. Como posso dizer não? que horas?

Cherry lips diz:
Saio de casa umas 10 horas e te pego. No máximo 10:30 to na sua casa. bjs

Leonardo Galvão diz:
bjs

Cherry lips diz:
To com saudade

Leonardo Galvão diz:
Calma, logo logo estamos juntos

Cherry lips diz:
bjs

Eu chego em casa, tomo um bom banho, como um empadão de frango bem seco e duro com arroz integral e couve carregada no alho. Assisto ao Jornal Nacional com meus pais e fico puto com seus comentários sobre Israel e Líbano, Lula e a corrupção e sobre a Fátima Bernardes e sua maquiagem. Termino de mastigar a comida, vou pro meu quarto. Ouço 3 músicas de um Cd qualquer que está no meu som enquanto separo a minha roupa.

Pego uma camisa vermelha, uma calça jeans apertada, um tênis vermelho. Uma roupa já manjada, assim como os elogios que recebo ao usá-la. Penso umas duas vezes se não é muito cedo para usar este trunfo, mas como me sinto um pouco desconfortável em conhecer pessoas novas, me escondo na segurança de alguns elogios vazios e uso meu "uniforme".
Entro no banho, reparo que os meus pentelhos tão grandes demais. Isso pode causar uma má impressão no boquete. Sempre me preocupo com isto.

Esta é a terceira vez que vou sair com a garota, sei que rola um interesse. Festa com álcool, música e provavelmente algum ex caso. Isto é um convite para sexo casual no quarto de empregada ou pra uma saída mais cedo do evento, deixando claro que nós passaremos a noite juntos. É quase uma troca - ela me cede o seu corpo e eu a deixo mostrar pros amigos como ela é moderna e emancipada.

Corto bem os pentelhos e deixo o saco quase pelado. Entro no banho, me lavo bem, sinto o anti transpirante do desodorante ainda pegajoso nas axilas. Reparo na minha barriga e sinto saudade dos meus 20 anos.

Termino o banho, me enxugo com mais presa ainda. Um pouco de desodorante, perfume no peito (como ela é baixa, perfume no peito é um ótimo truque), no pescoço e nos pulsos. coloco minha roupa e olho pro relógio. São 10:15.

Deito na cama, ligo o video game. Nem começo a jogar e toca o meu celular. Desço para a portaria, entro no táxi e me encontro com minha garota. Dou um beijo gostoso, lento e com a língua bem preguiçosa. Ela afasta o rosto de mim por alguns segundos e dá novas ordens para o taxista:

- Moço, agora vamo pra Delfin Moreira, 430, perto da Cupertino Durão.

No meio da viagem alternamos entre alguns beijos, umas passadas de mão nos peitos, nas pernas e conversas preparatórias sobre as pessoas que vou conhecer:

- O Edson e o Jonie são ótemos! São um casal lindo, muito divertidos.

Ela não me disse nada que íamos para a casa de um casal Gay. Olho pelo retrovisor e vejo o taxista com uma cara de desagrado. Sorte dele que pode ser transparente. Dou um sorriso, passo a mão de leve na orelha dela e respondo:

- Edson e Jonie? Você não me disse que era um casal. Agora está tudo mais interessante ainda linda. Pré festa em uma cobertura de frente pra praia, no Leblon, na casa de um casal gay!

- O Edson é funcionário público, bem careta, muito sério. O Jonie é arquiteto, meio afetado mesmo...

- Engraçado né? todo casal que eu conheço é assim. Um cara sério e sem estilo, que nem parece que é bicha e um outro meio afeminado e estiloso, que só de espirrar, você já sabe que ele não curte mulher. Mas me diz uma coisa. O nome do cara é Jonie? Que porra é essa?

- Claro que não é Jonie. É João Augusto. João Augusto Furlan. A Família dele tem algo com a Sádia e...

Chegamos no prédio. Pago 10 reais, peço dois pra ela. Não vou dar mole de ficar sustentando mulher né? Ela que complete o táxi. Nem fecho a porta direito e ela continua:

- ...e tem muito dinheiro. Foi estudar na França e na Suécia para ser arquiteto. Aí voltou pra cá com 24 anos, abriu um escritório lá em Ipanema, atendendo os amiguinhos da família. Um dia conheceu o Edson, que estava fiscalizando uma obra. Se apaixonaram na hora.

- Se apaixonaram na hora ou fuderam lá na obra mesmo linda?

- Hahahaha, Aí Léo, que grosso...

Como eu me irritei com aquela risada, ela saiu muito nasalada e o "que grosso" foi longo, com o final meio desafinado. A imagem que me veio a cabeça foi do Chewbaca falando português.
Entramos no prédio, reparo nas obras de arte no corredor. Nosso nome já estava na porta e subimos direto.

- Gostei destes caras! Esperar olhando pra porteiro é um saco. Você não pode falar com naturalidade que estes putos prestam atenção em tudo que você fala.

- O Jonie é muito sofisticado mesmo né Léo?

Mais um comentário que me irritou. Ele não é sofisticado. Ele é prático. Sem contar que pelo que ela me explicou, quem deve ter tido esta idéia foi o tal do Edson. Este cara sim devia ser prático.
Pegamos o elevador, ela aperta o 10. Vira pro espelho, passa a mão no cabelo. Eu viro junto e faço umas caras e bocas, arrumando o cabelo também. Desentorto o meu óculos, acerto a gola da camisa e abraço a minha companheira.

Chegamos ao décimo andar e a porta já está aberta. Uma música leve e pentelha, que me lembrava trilha sonora de Amelie Poulain tocavam ao fundo. Não tem uma viva alma para nos receber. Imagino que estão todos na varanda ou em alguma área externa.

Vamos entrando na casa. Tem uma bela iluminação, não é direta, não vem do teto para o chão, mas também não é escura ou muito direcionada. A iluminação dirige o olhar para determinadas áreas da casa mas sem deixar o ambiente escuro. Os pontos que mais chamam a atenção são um quadro de santa, uma armoire antigo e uma pequena escultura de estilo clássico.

Reparei melhor na escultura e percebi que é de um homem, girando o torso, com um pau muito grande caído para a esquerda. Senti-me meio estranho em reparar o pau da estatua, mas ele era realmente grande, e estava muito torto.

Olho para a minha direita e vejo o lavabo. Reparo na maçaneta. É em formato de uma glande. Entrou nele já imaginando que podia rolar alguma sacanagem antes de entrarmos na festa. Minha companhia fica no lado de fora. Abro a calça, faço força pra fazer um xixi.

Antes de lavar as mãos e reparo nas toalhas, com cenas de Kama Sutra entre homens. Ao pegar no sabonete, sinto algo estranho. Olho para a minha mão e confirmo o que já imaginava. O sabonete também tinha formato de caralho. Saí do lavabo e comecei a reparar nos detalhes da casa. TUDO tinha uma conotação com pau. Só mesmo a porra do Armoire e o quadro de santa que não. Comento isso com minha companhia:

- O que fez você achar o Jonie sofisticado? Foi o sabonete em forma de piru ou a maçaneta em forma de caralho?

- Aí Léo, você é preconceituoso? Olha que lindo aquele armário antigo. E aquele quadro da Santa Edwiges? Ele é de 1756!

- É linda, mas tirando isso, tudo aqui tem forma de pau. Deve ter um puf em forma de pau em algum lugar. Os canudos devem ter forma de pau, as facas devem ter forma de pau, o papel higiênico deve ter vários pauzinhos desenhados. A roupa de cama deve ter uma estampa de paus e bundas. Isto não é sofisticado, isto é baixo.

- Não Léo, tem todo um high low nisto. Imagina só, um jogo de cama de algodão egípcio de 3.000 fios, com vários pirus! Não é genial? Eu acho isto quase artístico!

Que raiva que me deu a expressão dos olhos daminha companhia ao falar "acho isto quase artístico". Eu vi que ela chegou a esta conclusão naquele exato momento e se sentiu a pessoa mais inteligente do mundo.

Subimos uma escada e chegamos na cobertura realmente dita. Havia umas 15 pessoas, vários casais de gays e lésbicas, alguns homens sozinhos, pouquíssimas mulheres sozinhas. Reparei que nos com meus 27 anos de idade, era provavelmente um dos mais jovens no lugar.

Uma pessoa sai do meio de um grupo, com uma taça de champagne na mão, soltando quatro gritos estéricos de "Você veio, eu sabia". Dá um abraço na minha garota e um tapa na bunda. Faz alguns comentários sobre a roupa dela, sobre a última vez que se encontraram e se cala.
Olha pra mim da cabeça aos pés, não dirige a palavra a mim. Olha de volta para minha companhia e fala:

- Nossa, onde você foi encontrar um ninfeto assim menina? Olha só que carinha linda, que óculos lindo... e esta barbinha! Tá aprovadíssimo! Adorei também esta roupa dele. ele fica bonito com esta camisa vermelha e com esta calça apertadinha. Lindão.

Eu já sabia que esta pessoa deveria ser o tal do Jonie, sofisticado e com fixação fálica. Resolvi me apresentar.

- Olá, eu sou o Leo. Você é o Edson né?

- hahahahaahahah. Errou menino. Eu sou o Jonie, muito prazer.

Gostei do respeito que ele teve por mim. Não ofereceu o rosto para dar beijinhos. Me estendeu a mão e deu um aperto de mão forte. Olhou para trás e gritou:

- Edson, venha cá, vem ver que menino lindo a nossa amiga tá saindo.

Se junta ao nosso grupo um homem de uns 45 anos, sério, meio moreno, mas com feições de índio. Tem um cabelo meio raspado nos lados, usa óculos quadrados com uma armação grossa e tem uns dentes grandes, brancos, muito alinhados. É um pouco forte.

- Olá linda. Saudades de você. Olá, tudo bom, eu sou o Edson. Qual é o seu nome?

- Leonardo. Prazer Edson.

- Olá Leonardo. Seja bem vindo. Ta vendo aquela bancada de granito perto da piscina? Tem uma geladerinha. Lá tem Scotch, Vodka, Cerveja e Proseco.

Assim que ele termina a frase, eu peço licença, vou a tal bancada de granito e preparo uma vodka com tônica. Para não parecer mal educado pego o Proseco para minha companheira.
Quando chego com os drinks, reparo que tem um cachorro com o casal. É um galgo bonito, cinza. Gosto do porte deste tipo de cachorro. Reparo bem no Jonie e chego a conclusão que com certeza, o cachorro é mais sofisticado que o Jonie. Eu chego com os copos no grupo e entrego o Proseco para minha acompanhante, que me dá um lindo sorriso. Dou um gole na minha vodka e sinto quase que um soco quando o álcool bate no meu estômago. Pergunto o nome do cachorro para o Jonie.

- Está e á Fátima.

- Vocês deram este nome para agredir nossa senhora?

- Não, é uma homenagem a minha mãe. Ela sempre gostou de chocar os outros se fazendo de velha puta. Olha só este truque:

Ele pega um pequeno travesseiro felpudo, roda em volta do cachorro. Fátima dá uns pulos, abana o rabo. Depois Jonie larga o travesseiro no chão. O cachorro começa a esfregar a buceta no travesseiro. Faz este movimento por uns segundos para, olha pra cara do dono e late. Ele dá um biscoito guardado no bolso felicitando pela esperteza do cão.

- Fui o Edson que a treinou. Ele adora minha mãe.

Edson, Jonie e a minha acompanhante caem na gargalhada. Eu acho isso um pouco triste, mas sei que não posso fazer cara de bunda para estranhos. Do uma risada forçada e enfio minha cara no copo de vodka. Assim eles não vão perceber que eu não acho graça nenhuma.

Eu deixo os três em paz, vou pra varando. Fico um tempo lá, fumando um cigarro, bebendo uma Vodka, aproveitando a vista. Troco algumas palavras com alguns casais. São todos simpáticos, alguns muito educados, outros mais espalhafatosos, mas todos são um pouco mais interessantes que a média das pessoas que se encontra em festas. Fico surpreso como me recebem bem e ver como são simpáticos.

Olho na outra ponta da cobertura e percebo que minha acompanhante já está com uma garrafa de proseco na mão, assim como Jonie, e ambos vão bebendo freneticamente em suas taças. Eu podia pedir pra ela diminuir o rítimo e não ficar tão bêbada, tão cedo. Como eu sei que esta é a última vez que sairemos juntos, eu deixo ela se embebedar a vontade. Pra que deixar a impressão de chato controlador?

Já é meia noite e a nossa pré festa já está com os minutos contados. No máximo em meia hora devemos partir. Minha acompanhante foi se deitar por que estava muito bêbada. Jonie e Edson chamaram um "pessoal" pra dentro da casa. Eles tinham Skank de Hannover e fomos todos fumar.

Eu nunca fui muito fã de maconha, sempre achei que me deixava mais chato, mais sonolento e broxa. Como se tratava de Skank de Hannover, eu resolvi me juntar ao grupo.

Voltamos à sala com o Armoire, o quadro de Santa Edwiges de 1756 e estátua de pau grande e torto. são 6 pessoas e o Jonie acende 2 becks gigantes, com o tal Skank de Hannover.

Estou sentado no sofá, com um copo de vodka em uma mão e um beck enorme na outra. Minha companhia, que já não erá lá grandes coisas, esta desmaiada na cama dos meus anfitriões. Acabo de saber que ela vomitou antes de dormir.

Uma mulher, que é tão gostosa quanto rampeira, senta no meu lado, me olha com cara de tesão e enrola os cabelos vagarosamente empinando os peitos. É lindo ver aquela camisa de alcinha e aqueles mamilos se insinuando para mim. Como eu queria ser uma daquelas moléculas de algodão, me esfregando em cada pedacinho daquele mamilo.

Ela fala algumas merdas que não me interessavam. Não sei o que ela viu em mim. Ou achou que eu era mais um dos vários ricos no ambiente, ou percebeu que eu era o único que conseguiria ficar de pau duro e dar um trato nela. De qualquer forma, resolvi ficar com a minha vodka e a minha maconha. Falei que estava com a amiga dela, dei um beijo safado no pescoço e fui ao banheiro mais uma vez.

Chapamos por 20 minutos. Acordei minha acompanhante e fomos pra rua. Teríamos que andar somente 3 quarteirões, até uma casa onde a festa já ocorria.

Saímos para a festa a pé. Eu reparo que se formam dois grupos. Os bichas low profile (onde eu e minha acompanhante ressuscitada nos encontrávamos), que conversam normalmente e os bichas afetados, que fazem barulho, falam alto, e desmunhecam sem parar. Eu olho em volta e vejo o olhar de desprezo e de desagrado que eles causam em todos que cruzam na rua. Levanto meu olhar e vejo pessoas na janela tirando satisfação do que ocorre fora de suas casas.

Senti uma inveja enorme deles. Queria ser desagradável, queria sentir na pele preconceito. Acelerei o passo, puxei minha companhia e cheguei mais perto deles. Provavelmente por causa do Skank de Hannover, arrisquei umas desmunhecadas de leve e tentei me sentir alvo de preconceito também. Não achei divertido e fiquei na minha.

Chegamos na nossa festa. Tocava Madonna.

Dancei com minha acompanhante duas músicas, bebi mais uma vodka. Passei mal, vomitei, deitei na cama e dormi. Acordei as 6 da manhã, com ela abraçada. Cada respiração que dava era um bafo de cana que me atacava, mas como o sorriso dela era tão calmo e lindo, fiquei imóvel por um bom tempo.

Levantei-me, dei uma bela mijada. Passei pasta de dentes na boca pra tirar o ranço do vômito. Acordei minha acompanhante e voltamos pra casa dela.

Fudemos que foi uma beleza. Gozar é bom pra enxaqueca, ela me disse.

7/28/2006

Um dia estranho pra caralho

Hoje seria um dia muito feliz.

Se a vida tivesse seguido o mesmo rumo que seguia há um ano atrás, hoje eu estaria me tornando noivo, marcando meu casamento, me preparando para viver uma vida a dois, uma linda história de amor... mas a vida não seguiu o rumo de um ano atrás.

Hoje é um dia estranho pra caralho.

Eu olho para trás e não me arrependo de nada, mas fico muito triste, por tudo de lindo que eu tinha e que acabou. Não quero culpados, não quero motivos. Acabou.

Mas como sempre, lá vou eu falando com um apego enorme de todas as memórias doces e maravilhosas que eu tenho, que poderei sempre reviver, mesmo que por segundos. São pequenos filmes em uma prateleira, que eu pego uma vez ou outra pra não deixar acumular muita poeira.

Eu me lembro dos almoços no Guapo Louco, com minha camisa laranja da Adidas, ficando levemente bebado com a marguerita... os diferentes sorrisos que eu sabia proporcionar, lembro da alegria de mostrar um mundo novo, de dividir as minhas idéias e de você se abrir para mim.
No começo nunca foi um duelo de monólogos... Como eu me senti amado, como eu me senti desejado e como te amei, como te desejei, como me preocupei em te proteger.

Lembro das nossa viagens, do nosso pique que não era acompanhado por ninguém, das nossas bebedeiras, das nossas festas, do nosso ócio de fim de semana. Eu realmente não sinto a menor necessidade de dizer tudo que eu tive... todas as experiências me tornaram o que eu sou agora. Quem me vê hoje, pode ver tudo que passei no passado... é quase como uma estrela que olhamos na terra, e que na verdade, já não existe mais no espaço.

Cada pessoa que eu conhecer, cada amigo novo que fizer, cada mulher nova que amar... todos se divirtirão, todos se apaixonarão um pouco por você também - depois do que tivemos, sempre estaremos juntos.

Mas isso acabou. Nunca vai voltar, não da mesma forma.

Hoje, com mais distância, eu já consigo enxergar os meus erros. Me pergunto se você reconhece os seus.
Hoje, com mais distância, eu já consigo enxergar como o que tivemos foi algo especial, provavelmente único. Eu sei que você reconhece isso também.

A minha única dúvida e talvez única esperança, é imaginar que ambos nos separamos pra nos tornar melhores.

Eu te amei muito. Parabéns por hoje (sem ponto final)

7/26/2006

High times - Documento Recuperado

Na mesma velocidade que o meu coração ta batendo agora, comigo bem doido, eu sito ele batendo quando eu to triste. Eu nao preciso me preocupar com tristeza, pode ser tao divertida como qualquer outra substância que vai na minha corrente sanguinea... é só saber curtir.

Eu me lembro dos meus amigos me olhando com desdem e vergonha. Eu estava dancado alegre, rebolando, me esfrengando. meio gay, meio latin lover, tava com a musica e a mulher na cabeça... Que mulher!

A memoria é otima, mas a consciência de todos os problemas que a memória desta danáa, trazem juntos, faz com que eu trema na hora de digitar as teclas. Eu tenho duvidas ate mesmo se quero guardar essas memórias pra depois ler. Afinal, eu tinha deixado isso enterreado, e só agora que eu lembro.

Aas memórias são sempre lindas, se eu souber como limpar as coisas em volta delas, que na verdade fazem parte da vida de qualquer pessoa normal. As memorias de todos podem ser sempre doces, é só saber se enganar.

7/09/2006

Eternidade Digital

Dando continuidade a 2345, escreverei mais dois "contos" sobre o futuro e sobre a digitalização do consciente.

Sempre soube que em um momento deveria tomar esta decisão. Nunca tive uma educação religiosa, nunca pensei muito em Deus e Alma. Nunca fui maniqueísta a ponto de acreditar em material x espiritual. Sequer me preocupava com a vida após a morte.
Pois agora vejo que deveria.

Depois de uma série de exames de rotina para alguém com a minha idade avançada, sabia que em cerca de 32 anos morreria. Por mais que os diagnósticos permitissem intervenções preventivas, por mais que eu tivesse formas de clonar e substituir órgãos que cessassem de funcionar, o cérebro sempre foi, e sempre será, único e insubstituível. Era ele que se deteriorava. Não passaria dos 170 anos, já tinha certeza. Senti raiva de todas as drogas, álcool e azeitonas que comi. Por que fui me meter com estas coisas que me destroem?

A proximidade da morte me perturbou pela primeira vez. Vi meu corpo se deteriorar, vi minha virilidade se ir, mas sempre tinha o porto seguro da minha consciência, das minhas idéias, das minhas memórias. Desenvolvi um apego, um orgulho, por tudo que vi, tudo que senti, tudo que aprendi e vivi.

A deterioração do corpo não me incomodava, era algo normal.

Os prazeres da carne perdiam a graça com a vida longa que todos nós levamos hoje em dia. O marasmo de mais um orgasmo, a chatice de um suculento bife mal passado, o tédio em degustar mais um pão com ovo com um sonho de sobremesa. Os prazeres carnais paravam de nos interessar. Um ovo sempre seria um ovo, o corpo de uma mulher sempre seria o corpo de uma mulher, uma vodka com tônica nunca mudaria. Com a velhice aprendi que o que fez cada uma destas experiências ser especial, ou não, sou eu. Os átomos que constituem tudo presente na esfera carnal eram sempre iguais (ovos, álcool e seios).

Esta consciência era libertadora. Era um segredo que todos sabiam, mas guardavam para si. Podíamos encarar a vida com um ar blasé, com uma falta de compromisso com os valores do século XXI.

O que me perturbava incomodava era a degeneração da memória.

"We are here to stay", frase de uma música que não saia de minha cabeça... Eu não queria esquecer do beijo roubado em um sítio, numa festa de final de ano, quando conheci o amor da minha vida, não queria esquecer do cheiro de esparadrapo no cabelo da minha primeira namorada, não queria esquecer a emoção de sentir meu pulso acertando em cheio a cara do meu adversário.

Agora tinha que decidir. A vida acabaria, isto era uma certeza. Deixaria minha mente seguir seu caminho, sozinha, sem meu controle?

Sentei-me em minha cama e relembrei minha vida. Vi que tinha muito apego a tudo que construí, e que exatamente por isso, daria uma chance a minha mente, continuar. Mesmo sem nunca ter sido pai, entendi a aflição que se passa com a fase adulta dos seus filhos. Você os cria, você os ama, tenta dividir com eles uma visão de mundo... mas chega um momento onde eles seguirão seu caminho. Sempre irão carregar um pouco de você, mas nunca serão você.

Dirigi-me ao escritório central do patrimônio público e solicitei as brochuras e formulários para a digitalização da minha mente. A taxa era subvencionada pelo Estado. Eles acreditavam que com a interação de diversas mentes digitalizadas, era possível que gênios ainda não descobertos se manifestassem pós morte. Também existia toda a questão social. Era comum ver jovens visitando a memória de parentes já mortos há longa data, resgatando valores familiares.

Li com atenção os folhetos. O sistema era basicamente este: em algum determinado momento, bem próximo da minha morte, introduziriam sondas dentro do meu cérebro e simplesmente leriam toda a minha memória. Depois transformariam a minha memória em zeros e uns, transformando-a em linguagem binária, apta para ser armazenada em computadores. Depois as informações coletadas seriam armazenadas em um mega computador, que analisaria todos os meus atos passados.

Depois de analisado, criariam um programa que me simularia, e instalariam este programa (ou seja, eu) no computador central do patrimônio público, onde poderia interagir com outros programas (ou seja, outras pessoas) instalados. Eu reencontraria amigos digitalizados, faria novas amizades, continuaria estudando, trabalhando, sentindo medo, alegria e tristeza. A simulação chegava a um requinte que possibilitava que eu amasse outros programas e me relacionasse com eles, inclusive com relações sexuais (mas sem reprodução, era impossível criar uma personalidade).

Cheguei ao capítulo sobre os termos de aceitação e políticas de privacidade. Li em um box, para destacar o conteúdo: "ATENÇÃO. Nenhum dos meus sentimentos e segredos estará disponível para outros programas do patrimônio público." Achei graça de tudo e imaginei como a minha vida podia ser boa depois da morte. Faltam 32 anos...

7/04/2006

2345

Esté é o primeiro "conto" de uma trilogia que escreverei sobre futuro e digitalização da personalidade.



Não se comentava outra coisa nos jornais. O ano era 2345 e vários numerólogos, esotéricos e místicos afins comentavam sobre a energia especial deste ano. Para mim isso tudo não passava de uma grande babaquice. Era um ano como outro qualquer, como sempre foi, só que os números se encontravam em ordem crescente.

Não via na verdade muito o que comemorar. Como vocês poderão perceber, não sou muito otimista, muito animado, e desde que instalaram o meu mentovisor em 2343, quando fiz 18 anos, percebi que todos simplesmente não gostavam muito de quem eu realmente era.

Me lembro que sempre sonhava com o mentovisor. Era curioso em saber exatamente o que os outros pensavam de mim, queria saber todos os segredos do mundo. Teria um universo de conhecimento ao meu alcance! Perder minha individualidade era um detalhe na verdade. Como dizia o nosso líder, eu saia de um casúlo individual para entrar na grandiosidade da humanidade.

Agora que tinha o mentovisor instalado e tinha acesso imediato a todo a história do mundo, entendia que na verdade este equipamento se tratava de uma forma de controle. Não era repreendido por pensar assim, mas o seria se fizesse algo com esta informação.

Mas é importante compreender por que foi criado tal instrumento tão odioso. Tudo começou em 2197, quando a atmosfera se encontrava tão poluída que era impossível respirar. A única solução encontrada foi usar roupas isolantes com filtros de ar. Todas as casas foram lacradas. Todos os ambientes de convívio social foram extintos. Não era conveniente se expor ao ambiente externo. O emprego como conhecíamos acabou, todos que trabalhavam utilizando o mínimo de sua intelectualidade o faziam de sua casa, com computadores e internet, sempre de sua própria casa. Para os trabalhadores braçais existiam as colônias produtivas, onde os mesmos ficavam por meses, somente convivendo com iguais para esporádicamente visitarem suas famílias.

O único contato pessoal que existia era entre membros de uma mesma família que dividiam a mesma casa ou em festas especiais, onde membros distantes se visitavam. Era raro a necessidade de se sair de casa.
Quando precisávamos sair paraum ambiente externo, encontravámos a necessidade de nos comunicar esporádicamente. Para isto, cada unidade de sobrevivência pessoal tinha seu número próprio. Víamos o número de cada pessoa e digitavámos em nosso comunicador. Não exista mais a conversa entre grupos - toda a comunicação agora era entre somente duas pessoas.

Para evitar a extinção da nossa raça, e para aumentar a sociabilidade do ser humano (muitos se deprimiam e perdiam a motivação para produzir, até mesmo para viver) eram organizadas festas para que os melhores jovens de todas as raças (os mais ricos, os mais inteligentes e os mais belos) se conhecessem e procriassem. Me interesei por este assunto, principalmente por não me enquadrar como rico, inteligente ou belo (era encarado como um erro da genética, uma impossibilidade viva) e nunca ter visto uma garota. Descobri em minhas pesquisas que isto já fora feito, com algumas sutís diferenças, muito antes, quando o planeta ainda era dividido em países, em uma região chama Alemanha.

Foram todos informados que esta nova estrutura social era passageira, que a nossa fase de destruição do planeta já acabara e que agora estávamos em uma nova era, de respeito ao planeta, de valorização dos conceitos ecológicos. Todos os cientistas concordavam que com o desenvolvimento de técnologias novas, o fim do petróleo e a diminuição populacional causada pela poluição e diminuição do contato social, em menos de cem anos poderíamos novamente voltar a ter uma vida dentro dos moldes anteriores.

Cem anos se passaram e a população foi se tornando inqueta. Nada havia sido feito. As colônias produtivas continuavam poluíndo o planeta, o petróleo sintético foi desenvolvido e somente a quantidade de pessoas no planeta parou de aumentar. Grupos revoltosos com a situação começaram a se formar, primeiro nas colônias produtivas (nada mais lógico que a revolta começasse no único ambiente onde existiam verdadeiramente interação social) e depois, inspirados pelo que ocorria, jovens formavam grupos pela internet e marcavam várias demosntrações de desobediência civil sentidas somente na rede.

Como a democracía e a liberdade sempre foram tratadas como o maior bem que possuíamos, não era possível que nenhum líder tomasse alguma atitude autoritária para acabar com a revolta. Era preciso encontrar uma solução negociada com os revoltosos, era preciso compreender os anseios e ceder. Os revoltosos tinham voz e eram ouvidos tanto pelo governo, quanto pela sociedade, mesmo que a distância.

A reividicação era por maior contato social e maior respeito ao ambiente. A promessa dos cem anos tinha que ser cumprida! Como nada fora feito até então? Seria necessário esperar mais cem anos agora?

Foi então, em 2.300, que a revolta acabou. Haviam finalmente inventado um sistema de comunicação rudimentar que possibilitaria a comunicação multipontual. Era uma espécie de capacete que transformava pensamentos em ondas e as emitia. Era possível focar para quem a mensagem seria enviada, mas não era possível impedir que qualquer pessoa acessace suas ondas. Era como se todos nos falássemos em alto e bom som.

De certa forma, isto foi uma grande liberação, a quebra de um paradigma na sociedade. Todos eram transparentes, os segredos acabaram, as mentiras acabaram. Devido aos valores enraizados por milênios da democracia e da liberdade, existia uma grande aceitação da discordância e da crítica. Viviam em uma anarquía libertária respeitosa.

Não somente os segredos acabaram, mas como todos os conehcimentos se tornaram mais acessíveis. Ao acoplarem uma unidade de memória digital ao mentovisor, era possível adquirir qualquer pensamento de terceiros, qualquer conhecimento e armazená-lo para posterior uso. Com a utilização simultânea do mentovisor, da unidade de memória digital e da internet, era possível ter acesso a qualquer conhecimento já adquirido pela sociedade, a qualquer momento em qualquer local do mundo. As pessoas eram instigadas a disponibilziar sua unidade de memória digital na internet (afinal de contas, quem não as disponibilizava, não teria acesso a outras, uma desvantagem para qualquer pessoa). Desta forma, a produção intelectual da humanidade crescia exponencialmente.

Voltando agora para mim... eu era "uma pessoa que deu errado". Depois de tantas gerações praticando eugenia, eu era pequeno, fraco, feio e medíocre. Cheguei a ser estudado pela ciência e a conclusão deles era que eu era uma forma da "mãe natureza" nos lembrar que sempre existirá o fraco e o feio - eu era uma espécie de fiel da balança. Não era possível existir somente virtuosos.

Provavelmente, por ser tão diferente, desenvolvi pensamentos que também eram muito despegados da nossa sociedade. Não me animava com o contato social, tinha uma visão pessimista do mundo e não era nem um pouco ansioso pelo fim dos trajes de proteção e de um ambiente mais limpo. Sei que era egoísta, mas toda aquela parafernalha me protegia.

Ao mesmo tempo que, até certo ponto, gostava desta situação, me resentia profundamente do mentovisor. Aproveitava ao máximo todas as infinitas possibilidades de conhecimento que ele me proporcionava, mas pagava um preço muito grande por ser realmente diferente.

Passei a ter raiva e revolta em relação a nossa falsa aceitação, nossa falsa liberdade. Eram todos livres para serem iguais. Viviamos em uma grande homogeinização que controlava a vida de todos. Segundo o nosso líder, todos eram iguais pois todos tinham o mesmo conhecimento e as mesmas oportunidades - e igualdade de conhecimento e igualdade entre os homemes e ausência de repressão prévia era o que significava liberdade em 2345.

A ausência de repressão prévia me soava a maior de todas as mentiras. Por não aceitar o sistema, era repreendido, mesmo que socialmente, por todos. Por não ser um exemplo de um humano virtuoso, era colocado de lado e olhado com reprovação por todos. Realmente tinha liberdade pra pensar, pra odiar, para querer mudar - afinal de conta, como estes pensamentos eram abertos a todos, não era justo repremir-me oficialmente por pensar. A mim cabia ter auto controle e não colocar em prática minhas idéias revolucionárias. Minha impressão era que eu sempre fui o único filho de 2325 que tinha desejo por individualidade. Para mim, individualidade era liberdade e individualidade era algo inaceitável atualmente.

Alguns dias após a passagem do ano tive uma idéia simples, porém brilhante. Poderia usar o mentovisor para encontrar alguém como eu. Não era possível que a "mãe natureza" tenha me escolhido para ser o único aviso que só não pode existir o virtuoso, não é possível que só exista uma pessoa com desejo por individualidade. Gastei alguns minutos investigando na internet, tanto o presente como o passado. Foi uma busca completa e exaustiva, mas não encontrei nenhum registro. Pensei em outras alternatvas, imaginei teorias conspiratórias. Começava a me desesperar quando resolvi fazer uma busca em minha própira unidade de memória digital. Mesmo só tendo instalado-a somente dois anos atrás, existiam fatos da minha infância que poderia me lembrar naquela época e que atualmente não estão claros em minha mente.

Não encontrei nada, nenhuma resposta, nenhuma dica. Estava novamente sem saber o que fazer, como sempre foi em toda a minha vida. Tinha liberdade para pensar, mas não tinha para agir. Tinha um universo de informações para acessar, mas nenhuma chance de utilizar realmente estas informações para alterar algo em minha vida. Só me restava esperar o tempo passar, inerte, aceitando tudo que existia. Estava simplesmente desistindo.

Era o segundo dia de 2345 e eu desistia de minha busca. Sabia que este ano seria igual a todos os outros, sabia que ia tudo ser sempre desta forma. Tomei banho, fiz a barba, coloquei uma roupa para ocasiões especiais em família, escrevi uma simples nota falando pros meus pais por que me mataria.

Abri a porta, sai de casa, respirei fundo. O ar não tinha o cheiro fétido que diziam. Passaram-se cinco minutos, dez minutos, as poucas pessoas que precisavam ir ao ambiente externo me olhavam surpresas, mas de uma forma diferente. Sentia a estranheza, mas não o preconceito. Não podiam mais ler meus pensamentos e eu agora os agredia de outra forma. Após algumas horas, continuava vivo. Percebi que tudo o que era preciso era um pouco de coragem para ser diferente. Para ser eu, para ser tão único como sempre soube que era, tudo que precisava era coragem.

Assim comecei a revolução.

7/02/2006

Um dia chato pra caralho

Porque existe comigo sempre esta divisão entre diversão e saúde? Será que simplesmente não consigo me divertir de forma saudável?

Acordo cedo, vou correr na lagoa. Ando 9km, corro 1km (dá pra ver a falta de preparo físico né), volto pra casa e durmo, assisto a filmes, estudo espanhol leio um novo livro e jogo video game. Assim acaba meu domingo.

Nada de amigos para beber, nenhuma enxaqueca no domingo de manhã, nenhum gosto de cigarro na boca, nenhuma lembrança divertida - ao menos estou saudável e limpo!

Enquanto andava pela lagoa fiquei olhando a linda paisagem, penei em como eu gosto do Rio mas ao mesmo tempo, como quero me mandar desta cidade, admito que a força pra me mandar diminuiu um pouco, é verdade, mas simlpesmente não posso dar chance a inércia, com seu sorriso filho da puta, acabar com algo bom novamente. Foquei então meus pensamentos nela.

Lembrei de todos os moles que dei. Sabe, a inércia é um dos amigos mais filhos da puta que eu tenho. Graças a inércia não joguei tanto basquete quanto queria quando era novo, não fiz minha viagem de intercâmbio, não fiz meu implante, não encaminhei minha vida pessoal da forma que devia, não adiantei o meu lado na minha vida profissional...

Comecei a ver a inércia como uma mulher (provavelmente pois é A inércia e não O ócio) e me imaginei terminando com ela. Eu ia sentir saudades, ia querer que ela voltasse à minha rotina, me lembro como foi difícil acordar sozinho num sábado deopis de 6 anos namorando... mas falei, em voz alta, no meio da lagoa, pra assustar as pessoas em volta, na verdade mostrando para a inércia como eu tinha coragem.

- Filha da puta, você pode tentar voltar, você pode tentar atrapalhar a minha vida novamente, mas eu não vou deixar. Se é pra me sentir mal, me sentirei mal com outra coisa. Pde ser a verginha, ou então a falsidade. Se você insiste em me deixar triste, se é isso que te deixa feliz, é assim que eu vou te sacanear de volta.

Me cansei da inércia. Liguei o despertador para as 6 da manhã. Podem me pergutnar se fui correr na lagoa ou não.

7/01/2006

High times

os filetes, os filetes, um por um. os filetes de sangue da gota que caiu na água da privada.
a matematica maldita, onde tudo é subterfúgio.
a lagoa de areia, ainda era de areia. a pedra que entrou na rotula esquerda e o padastro espremeu. tinha sido o cachorro atravessando a rua, eu sabia que ia morrer, mas resolvi apagar da minha memória.
momentos bonitos que ficam na cabeça, mas sei que tinham um monte de merda em volta... podiam ser puros, mas sao bem sujos.
to ficando seco.
esse corte... tinha q ter um grave muito forte agora.

egoísta

A minha cabeça explode. Sinto todos os cheiros doces, minha coordenação motora é falha, mas as minhas idéias são claras. É como beber água de uma nascente na casa de campo da sua amiga gostosa que tocava uma punheta pra você, mas nunca deu.

Lembro de todas as mulheres que dancaram na minha frente hoje de noite, sei que todas fizeram o que fizeram só pra me fazer lembrar depois delas. Queriam ter certeza que iriam viver na minha imaginação por meses, me visitando em qualquer momento de solidão.

Elas sempre me visitariam usando vestidos longos, grudados no corpo, mostrando todas as curvas que elas fingem querer esconder, com cheiros florais e bucetas virgens. Sobre tudo virgens.

Toda semana eu as comeria, mas elas renovariam seu hímem pra que eu as deflorasse novamente, numa linda exibição de amor verdadeiro. Uma mulher que se entrega, verdadeiramente como se fosse a primeira vez, todas as vezes? quem nao queria isso?

Depois de reler o texto reparo novamente a dificuldade de escrever, de digitar. Tudo tá difícil. respirar, olhar, sentir... me sinto anestesiado e é gostoso.

Apaga o texto com vergonha. isto seria se expor de mais.

Os sentimentosm existem, eles ainda existem, mas as palavras soam estranhas. quero conseguir lembrar as palavras e os momentos. Merda de cheiro doce q nao sai da minha boca!!!

Eu quero aproveitar todas as oportunidades que a minha vida me der.


Era baterista, tímido, mas era feliz, por que sabia o que queria ser desde que nasci. Queria passar a vida na estrada, sem domicílio fixo, sem namorada fixa, sem amigos fixos.... num descobrir e redescobrir infinito. E olha que isso tudo eu sendo baterista. Não era o rock star, não era o cobiçado. MERDA DE CHEIRO DOCE QUE NÃO SAI DA MINHA BOCA!!!!!
Quando a pessoa se torna chata, eu jogo fora, quando a música se torna chata, eu avanço, quando a vida se torna chata, eu viro um novo personagem.

6/30/2006

Para os momentos dificeis

Isto já virou domínio público:

Sabe aquele exercicio de natação, que você fica na borda da da psicina, subindo e descendo, fazendo bolinhas?
A vida é isso, só que numa piscina de merda.

6/29/2006

OH-

Perguntas e respostas COM e SEM alcool:

Com álcool
- Dúvido que você tenha um caneta pra me emprestar.
- Eu dúvido que você não queira chupar o meu pau agora.
Sem álcool
- Dúvido que você tenha um caneta pra me emprestar.
- É, você está certa, não tenho mesmo.

Com álcool
- Vamos ao teatro? Como assim não? Meus pais já compraram o ingresso!
- Fodam-se todos. Já basta ter que aturar a filha deles.
Sem álcool
- Vamos ao teatro? Como assim não? Meus pais já compraram o ingresso!
- Tá bom amor.

Com álcool
- Leo, você está bebado? Seu vagabundo, fica só bebendo e não faz um exercício.
- Pois é, e você só fica fazendo o exercício e não trabalha.
Sem álcool
- Leo, você está bebado? Seu vagabundo, fica só bebendo e não faz um exercício.
- Eu não bebi não.

Com álcool
- Aí bacana, dá um dinheiro pra eu comprar um lanche, um salgado.
- Bacana é a puta que te pariu. Opa, você não deve ter conhecido a puta que te pariu, desculpa.
Sem álcool
- Aí bacana, dá um dinheiro pra eu comprar um lanche, um salgado.
- Foi mal véio, fica pra próxima.

Com álcool
- Por que você quer trabalhar nesta empresa.
- Se é pra ser uma puta, que seja uma de luxo, bem paga.
Sem álcool
- Por que você quer trabalhar nesta empresa.
- Eu acredito que existe uma sinergia de objetivos e de pontos de vista entre eu e esta empresa. Podemos crescer juntos, e é isto que procuro na minha vida profissional.

Com álcool
- Meu filho, não vou poder te dar o dinheiro que você tá pedindo. Não tenho ele.
- É, eu acho que a única coisa que você teve foi um pau pra fuder a minha mãe mesmo. Não sei nem por que gasto saliva. Vamos beber e fumar juntos que nisso nos entendemos bem.
Sem álcool
- Meu filho, não vou poder te dar o dinheiro que você tá pedindo. Não tenho ele.
- Sem problemas pai. Como esta o meu irmão?

Com álcool
- Diminui o ar por favor, está muito frio
- Por que você não traz uma porra de um casaco? Se esquentar é fácil, mas diminuir a minha temperatura vai ser difícil
Sem alcool
- Diminui o ar por favor, está muito frio
- eu não me meto mais nisso. Pede pra eles desligarem

Com álcool
- Quanto é a cerveja?
- é três reau
Sem álcool
- Quanto é a cerveja?
- é três reau

6/28/2006

Metapost

Eu estou com uma puta vontade de escrever algo extremamente pessoal, quase que um desabafo... mas acho que isto seria me expor muito. Vou expor então o que um amigo meu postaria se este blog fosse dele.

"O complicado de se sentir na merda e querer fazer este post pessoal, é que isto martela a minha cabeça a cada segundo em que eu não faço nada que realmente precise da minha concentração. Se eu tenho um segundo pra pensar, eu vou pensar nos meus "assuntos pessoais". Assim que penso neles, um monte de efeitos colaterais aparecem, nesta ordem:
1. Fico com um aperto no peito
2. Fico um pouco sonolento
3. Minhas costas voltam a doer (Eu destendi um músculo das costas em fevereiro e até hoje ele me doi)
4. Começo a ficar irritado e desperto
5. Minha respiração aumenta e meu coração parece que vai estourar minha caixa toráxica
6. Começo a sentir minha temperatura aumentando
7. Fico vermelho
8. Sinto uma dor aguda atras das orelhas, como se fosse uma dor causada pela pressão no avião
9. Minhas pernas tremem
10. Falta de ar

Apesar de vocês lerem estes 10 pontos em menos de 15 segundos, eu repassei todos eles, um por um. Demorei cerca de meia hora pra descrever o que meu corpo passa, só para ser o mais realista possível.

Como sentir isto não é nem um pouco agradável e como eu vejo a cada dia que a situação em que me encontro é ireversível, busco por saídas alternativas. Poderia ter uma postura de homem e encarar os meus problemas, mas preferi me comportar como moleque. Jogo video game. Só isso que faço, jogo video game. Se sinto raiva, desligo o árbitro do jogo de futebol e abaixo o cacete nos meus adversários, se estou me sentindo um fracassado, diminuo a dificuldade e goleo o adversário só pra me sentir o bom, se quero me sentir importante, pego um time pequeno e tento ganhar o campeonato com ele, só para ver os diretores do clube me elogiarem.

Percebo que apesar de fazer força para não ser anti social, não tenho muita energia para sair, me relacionar com pessoas.
Se saio, vou pensar no meio do caminho, sentado no ônibus.
Se saio, vou pensar no bar, em algum momento de silêncio.
Se saio, vou pensar no banheiro, quando estiver bêbado lendo os calhaus da New Ad
Se saio, vou pensar no cinema, quando estiver no meio de um beijo

Assim sigo no faz de conta, que eu não queria participar, mas que foi o que me sobrou. Faço conta que não ligo e torço pra esquecer. Faltam 42 dias"